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Fazer amor com barro

A vida é naturalmente abundante.. Cabe a nós estarmos atentos e sensíveis para alcançar esse estado de abundância. Muitas vezes, gastamos energia preocupados em gerar recursos para adquirir bens que consideramos importantes para levar uma vida cômoda. Quando nosso trabalho espiritual está em dia, é mais fácil perceber que já recebemos os bens necessários para vibrar esse estado de abundância. A meditação, o encontro com o silêncio sagrado, abre espaço para escutarmos a nossa canção. Cada nota dessa canção traz um dom que recebemos para vibrar na mesma melodia de Pachamama, fértil, fecunda, abundante.. Os dons são como fios que bordam magicamente a existência, de forma que todos os seres dancem em harmonia. Quando não descobrimos o nosso fio, faltam cores e matizes, falta beleza na existência ao nosso redor, nos transformamos em queixa e insegurança, nos distanciamos desse estado de abundância de Pachamama. Quando somos residentes na terra, nosso coração descobre que sabe cantar como os pássaros, nossas mãos descobrem que podem inventar realidades com o barro do chão, nosso corpo inteiro está a serviço da vida. O serviço é o que verdadeiramente nos conecta com o sagrado, no serviço somos a manifestação de Pachamama, que nos confía dons preciosos para bordar a existência em cores junto a todos os seres. Esse é o investimento de Pachamama, por isso ela é tão abundante. E nós como estamos? Queixosos ou abundantes? Já descobrimos nosso tesouro? Estamos em serviço como as minhocas incansáveis? Já escolhemos um jardim para semear? Ou ainda estamos aí reclamando dos políticos e banqueiros?

Os residentes de Casamama seguem fazendo amor com o barro do chão. Toda segunda-feira, Paloma coloca seu dom a serviço do amor, dando aula de cerâmica para crianças de uma comunidade que acredita nos sonhos coletivos. Hoje, enquanto as crianças inventavam realidades com o barro, as mães tomavam mate sonhando com o forno que estão por fazer, para ajudar nos dias em que comem todos juntos. Elas cozinham, todos comem e nutrem novos sonhos. O comedor popular está ao lado da antiga estação de trem, os vagões abandonados seguem vivos, fazem cama para o sonho de se transformarem em espaço cultural comunitário.... mal sabem eles que já são. Quando sonhamos juntos, já vivemos em sonho. É isso que sinto todos os dias quando desperto em Casamama, que estamos parindo sonhos.




Com amor,

Francisca Aguilar, por Casamama

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